sexta-feira, 15 de março de 2019

Os cinco sentidos do nada

O que se escreve quando se pensa que já se viu de tudo? Se sesse... Não, você não viu de tudo ainda. Te falta. Há muito mais o que se ver. Para quem fica, continua a ouvir e a quem possa interessar assistir essa louca história da vida, aqui estamos presenciando entorpecidos ou eletrificados, as causas e efeitos do viver um dia após o outro. Micróbios, animais e vegetais, somos um todo funcionando loucamente de maneira patética, histérica, mórbida, crítica, insensata, racional, dinâmica, estúpida, eu diria até surreal, enigmática, porém ambiciosa de respostas e refém de nós mesmos. O que faz termos amor ou raiva, estudarmos antropologia ou matemática, comunicação ou medicina, tomarmos fortificantes ou venenos, criarmos ou eliminarmos coisas? O que nos torna seres completos ou faltando pedaços? O que nos impulsiona a ir ou deixar, encontrar ou desencontrar, cavar ou empurrar, armazenar ou esvaziar? Onde está o eixo de tudo? O que ocasiona o monte e o desmonte do quebra-cabeça? Qual o comando do universo? Ou é o caos que realmente reina? Para que tanta dor ou prazer? Pra que tanto barulho? E o silêncio? Ele responde alguma coisa? Se o silêncio acalma as almas, por que ganhamos a visão? É para ver o horror e a beleza gritante das coisas e depois dizer chega. Por que temos o tato? É para tocar e sentir as texturas e tamanhos, sentir dor, sentir a pressão, o calor, o frio e depois dizer basta. E por que o olfato? Para percebermos o cheiro bom e ruim de tudo. Para que serve o paladar? Para descobrirmos o gosto, o sabor, a doçura, a amargura, o azedume e o sal do que comemos e bebemos. E para que serve, por fim, a audição? Seria ela o último sentido, já que o silêncio é o que nos espera, depois de tanto ver, crer e não mais crer?

segunda-feira, 4 de fevereiro de 2019

Verão 90 ... Nossa história daria um filme

Duas adolescentes estavam combinando de sair para uma boate da moda dos anos noventa da Barra da Tijuca: Olimpizza. A Olimpizza ficava aonde era o antigo Bali Bar, no Itanhangá. O pai de uma delas se prontificou a levá-las e depois até buscá-las na boate. Uma das meninas, a filha do pai, estava mais empolgada que a outra. A outra estava neste dia meio de baixo astral e foi mais pela amiga animada. O pai da amiga animadinha era meio atrapalhado e no caminho, quase chegando ao lugar, se envolveu em uma batida, na verdade uma batida de leve. O carro da frente freou bruscamente fazendo com que o carro dele encostasse a sua dianteira sem amassar e logo atrás veio outro carro que bateu mais forte em sua traseira, aí sim, amassando-a e deixando o pára-choque e o cano de descarga pendurados. Prejuízo para o pai da menina animada. Logo, chegou a polícia para vistoriar o acontecido e pedir os documentos dos motoristas envolvidos no pequeno acidente. Constataram que o pai da mais animada não portava os documentos do carro e nem a identidade. Liberaram os outros veículos onde os donos apresentaram seus documentos. A menina que não estava tão animada se desesperou e queria ligar de qualquer maneira para o seu pai a fim de pegá-la e tirá-la dali, pois não agüentava mais aquela lengalenga dos policiais discutindo o que seria feito com o senhor sem documentos. Ela quis atravessar a passarela para ligar de um orelhão para o pai e pediu que a amiga a acompanhasse, mas foi em vão, porque o pai da menina mais animada botou as duas no carro dele para levá-las de volta pra casa e com os policias fazendo a escolta num opala camburão. O intuito dos policiais, a princípio, era pegar os documentos e fazer o registro de ocorrência que faltava realizar naquela noite que parecia entediante. Mas, a menina menos animada, sentada dentro do carro do pai da outra animada, do banco de trás, começou a espernear e dizer ao senhor que parasse o carro que ela queria saltar, pois na sua cabecinha, o carro estaria explodindo ou a ponto de uma explosão. Ela via fumaças e fogo quando olhava para trás e ouvia o barulho do cano de descarga se arrastando no asfalto da longa avenida. O pai da menina animada nem corria, estava calmo e dirigindo devagar, sendo seguido pelos policiais. A menina menos animada não se acalmou de jeito nenhum e o pai da mais animada deu a idéia de elas trocarem de carro e entrarem no camburão policial. O pai, então, fez sinal de que ia parar e disse aos policiais que elas seguiriam com eles. Ambas ao entrar, já estranharam aquele carro, que mais parecia uma prisão ambulante, pois o opala quatro portas dos policiais tinha uma divisão em grade que separava os dois passageiros da frente dos outros passageiros traseiros. A partir daí, seguiram elas, as meninas, no carro dos PM's e o pai da menina animada, sozinho, no seu Del Rey velhinho e dirigindo devagarzinho para não acabar de vez com o pára-choque e nem fazer cair o cano de descarga que andava solto depois da batida. No carro dos PM's, a coisa ia tomando outra dimensão. Eram eles, um grisalho e um moreno bigodudo. O grisalho, metido a esperto e a garotão, e o moreno bigodudo, sério e introspectivo. Quem dirigia era o grisalho fanfarrão. O moreno estava no carona, sempre quieto. O grisalho olhou pelo espelho retrovisor e gostou do que viu. Daí começou a jogar conversa fora com as meninas, focando sempre na mais animadinha, porque ela parecia ligada numa pilha, estava elétrica e falante. A outra, mais calada, não dava conversa, só observava e refletia. O grisalho resolveu jogar verde, perguntando se elas saíam para beber. A animada se empolgou e disse até pra onde elas estavam indo curtir a noite antes do pai dela bater o carro. Pronto, o PM grisalho descobriu a fórmula de puxar mais papo e ainda ficou no elogio, dizendo que elas eram meninas muito bonitas, perguntando se tinham namorado, se os pais as deixavam namorar e aquelas baboseiras de sempre, típica dos machistas. O grisalho era tão cínico, mas tão cínico, que ao reparar no carro do pai da animada, que andava a vinte ou a trinta quilômetros por hora, ligou a sirene do camburão e disparou pela avenida a mais de oitenta. O PM moreno bigodudo continuou imóvel. A menina mais animada continuou nem aí. A menina menos animada foi quem iniciou uma série de perguntas: Por que está correndo? Por que ligou a sirene? O que aconteceu que parou de seguir o carro do pai da minha amiga? E o PM grisalho ia respondendo. É a minha filha! Ela está com o namorado naquele carro ali na frente. Sei que é ela. Eu tenho que seguir! A menina menos animada continuou a perguntar. Mas em que carro sua filha está? O PM grisalho deu uma péssima resposta. Ali, naquele Passat branco. Nisso, a menina menos animada pensou rápido. E caramba, não havia nenhum Passat branco nem nenhum carro de cor branca tanto na frente quanto atrás ou dos lados da pista expressa. A menina rezou para que ele não seguisse reto com o carro, pois a reta era em direção ao Recreio dos Bandeirantes, que naquela época, não tinha nada, nem iluminação noturna, nem casas, só matagal. E por sorte, o PM seguiu assim que passou o Barrashopping em direção a Jacarepaguá, mas não teve tempo de se perder na estrada escura com seu cúmplice e as duas vítimas. Assim que ele virou, as luzes do supermercado Carrefour e de sua churrascaria Pampa iluminaram a menina menos animada e ela gritou. Pode parar o carro, por favor, que eu estou passando mal e acho que vou vomitar! Foi o PM moreno bigodudo quem arregou. Pára este carro, cara, não está vendo que ela vai vomitar aqui dentro e vai feder tudo? Só assim o grisalho parou. E no que parou, a menina menos animada abriu a porta do opalão dos PM's e correu, correu muito e foi gritando enquanto corria pelo nome da outra. Corra! Só aí a menina animada percebeu o que poderia estar acontecendo ou o que poderia chegar a acontecer. E correu. Mas o grisalho também saiu do carro para acompanhar a animada que corria logo atrás. A menos animada imaginou mil coisas em sua cabecinha de vento. Achava que seria morta ali, com um tiro pelas costas, mas melhor seria morrer assim do que estuprada e jogada num valão por aqueles dois porcos. E assim continuou correndo, até chegar esbaforida dentro da churrascaria e pedir por um telefone. Passava de meia noite e ainda jantavam ou fechavam a conta clientes que logicamente, ficaram assustados com todo aquele alvoroço. Quando a menina menos animada pegou o telefone, ligou direto para a casa dela e pediu ajuda. Finalmente conseguiu falar com o pai. Mas o PM grisalho não se deu por vencido. Ainda ficou tentando ridicularizar a menina na frente de todos da churrascaria. Dos garçons aos clientes e aos recepcionistas e caixas. Antes de chegar de braço dado na churrascaria com a outra menina animada, passou ordens ao PM moreno bigodudo que fosse até a casa do pai da animada e trouxesse-o para provar que era bonzinho. Tentou fazer um discurso de bom pai e zeloso pela segurança da filha que não convenceu ninguém, nem a ele mesmo. Voltou para o seu camburão junto do outro PM sem nada ter conseguido daquelas duas meninas. Os pais de ambas as levaram embora e a menina menos animada ainda teve que ouvir de sua mãe a seguinte frase: Antes tivesse morrido no carro do pai de sua amiga, um santo homem. Mesmo queimada, ia morrer feliz e no céu. Imagina ter que passar por tudo isso e ainda por cima nos tirar da cama a esta hora. E hoje, a gente pensa: Ah, maldito celular, se você já existisse...

sexta-feira, 25 de janeiro de 2019

Vários Casos Abafados

Sim, temos muitos casos abafados no calor deste verão. Estamos em Janeiro de 2019, dois mil anos depois de Cristo, e ainda existem tantas similaridades desde que o Salvador surgiu e sumiu da Terra. O planeta nos dá e nos tira, dia após dia, de tudo um pouco, mas não há mais de uma dúzia de seres humanos que aprendam e consigam passar adiante melhores exemplos. Tanta gente fazendo o bem e o noticiário se inclina nitidamente para a massa de pessoas poderosas que estão praticando o mal. Em todas as áreas profissionais existem os medianos, os péssimos e os ótimos, porém a Igreja, seja de que religião for, por ser mais balanceada do que os outros setores que mandam, vence a categoria de boas notícias e de belos exemplos. Ganha, contudo não significa que saia ilesa de alguns escândalos. Realmente, Ela é poderosa, está sempre no topo das paradas, equilibra muito bem os extremos, manipula mentes como nenhum outro setor faz; prova disso é que diariamente há matérias na TV, nos jornais, nas revistas e nas rádios sobre padres jovens ou párocos senhores, pastores, missionários e monges praticando ações de todos os níveis e para todos os nichos. Enquanto isso, na política dos Estados brasileiros, na engenharia, na ciência e na medicina geral, estamos assistindo muito mais espetáculos de podridão do que de boas ações. Sem entrar em detalhes, já sabemos de grande parte das manchetes nacionais. Desabamentos e construções sem pilares... No meio artístico o correto seria que os nossos ídolos ou nossos musos e musas não nos influenciassem, mas é difícil a gente deixar de se influenciar; são tantos apelos, tantas fotos e vídeos recomendando isto ou aquilo..., eles não têm posição. Volta e meia estão de um lado, seguindo interesses difusos, conforme a grossura da corda. Se espalham, se abaixam, se levantam e a seguram na ponta ou no meio, para que a mesma não arrebente, porque cada profissional das artes está atrás de um patrocínio, e é absolutamente normal, dependem disso para seguir seu rumo. Vivem de fantasia, idolatram os mortos, os herois e as heroínas da política, porém, estão seguindo os vivos, que ainda não foram queimados pelos arquivos... Hoje não precisamos mais citar nomes, está tudo estampado nas redes sociais. Mas amanhã precisaremos estar atentos, desde ontem há casos mais do que esclarecidos e outros nem tanto. Afinal, o que querem os artistas? Querem eles abafar casos ou se acalorar neles para deles se aproveitar por este ou por aquele motivo? Tão menos problemáticos seriam desvendar certos casos, caso nossos artistas fossem apartidários. Artista não tem nada a ver com poder, não tem que se meter, deve fazer o seu ofício, que é fazer graça ou drama, fazer rir e chorar, ser só um meio. E o que está no meio, não precisa ir para as bordas, nem transbordar para fora das telas e dos palcos. Logo eles que leem tanto, tão pouco entenderam que o melhor de ser artista não é inflar, é abafar o caso.

segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

Maria de Deus

Nossa! Faz tanto tempo que não venho aqui no meu blog... E agora vim para dizer que o ano está terminando, e que dois mil e dezoito fecha suas portas com chave de ouro desmascarando mais um hipócrita religioso. Seres humanos se valem da crença, da fé, do desespero alheio para ditar regras, comandar, usurpar, ordenar, humilhar, pisar com todo o peso em cima daqueles que são julgados como um rebanho de inferiores. Geralmente o poder está no dinheiro e no sexo. Sempre foi assim. E nunca quiseram mudar. Estranhamente são as mulheres que levantam as pautas de abusos morais e sexuais, mas não somente elas sofrem ou passam por determinadas experiências desagradáveis.
Ao que parece, homens lidam um pouco diferente nesse departamento, porque quando violentados, se calam, se envergonham, se fecham em seus pensamentos, e talvez depois se tornem seres violentos, perigosos, cheios de traumas. Quando adultos, boa parte passa a frequentar analistas (se têm dinheiro para gastar com o tratamento), mas não se curando, viram psicopatas da sociedade, em graus tolerantes, não nocivos a ponto de matar. São eles, os caras que fazem as namoradas e amigas interessadas em gargalhadas, amor e sexo, mulheres de fino trato e também de gato e sapato. Ao simples sinal de um mínimo poder aquisitivo, quem dirá um máximo, tratam mulheres igual a bibelôs e acompanhantes, bancando tudo, desde restaurantes e passeios, a viagens e passagens aéreas, tão logo não admitem uma troca justa neste sentido, ou seja, se eu te como, você me dá... Se eu sou o homem, você é a mulher, se eu te banco eu me aproveito de você, e você então, concorda calada e sorridente; é o tal ato machista e pré-histórico se repetindo, se reproduzindo, virando regra, e algumas delas, na imensa maioria, respeitosas e de família, ainda proclamam que tudo isso é lindo, romântico, ele será o meu marido e concordam. Feminismo passa longe.
A vida é violenta e algumas mulheres não aprenderam isso. Continuam errando em lutar pelos direitos femininos, porém aceitando mimos masculinos e berrando se eles as tratam como objetos. Paranoicas para eles, controversas para nós mesmas, deprimentes e repudiantes. Logo, muitas não sabem se defender de maus tratos, pois o costume é serem tratadas a pão de ló. A hora é agora, está na vez das mulheres de todas as classes e idades saberem que a principal pessoa a nos defender somos nós mesmas. Somos cidadãs adultas e formadas que conquistaram a sua liberdade de ir e vir, e temos voz, temos noções de direito e sabemos lutar com nossas armas. Não precisamos de armas de Jorge nem de nenhum João de Deus. Somos muitas, somos Marias, somos deusas, somos ninfas, somos poderosas, sim, nós somos. Somos sinistras, somos feiticeiras, somos anjos e devemos ser do bem. Juntas, somos fortes. O medo não pode nos calar. A natureza nos deu o poder do grito, o poder do olhar e o poder da mão, do afastamento, do não. Se os homens conseguem se livrar de mulheres loucas, chegou o tempo de conseguirmos nos livrar desses loucos também. O mal estar não pode mais pairar em quartos fechados. Dois mil e dezenove vem aí para abrir as janelas e deixar o sol entrar. Que todas as Marias se valorizem e não se envergonhem de praticar a autodefesa. Quem defende a Maria é ela mesma. O instrumento principal da mulher é o cérebro, depois o sexo. A religião é um paliativo a ser usado com cautela, para aliviar o que nos aflige, nos atormenta, mas não façamos com nós mesmas a besteira de entregar tudo na mão de Deus. É um perigo achar que Ele resolve as nossas vidas, é um perigo deixar tudo a Deus dará. Maria, pelo amor de si mesma, ensina Deus a ser bom, mostre um caminho da salvação que seja inverso ao dele, sem amarras.

sexta-feira, 20 de abril de 2018

Demasiados Humanos

Vamos falar sobre tipos de humanos. Existem tantos e são tão diversos. Universo estranho, demasiado estranho. Dos cromossomos XX aos XY... Há algumas particularidades. Os viúvos vivem a procura de outra companheira. Querem companhia e parceria de verdade. Os solteiros, não importa a idade, querem alimentar o ego. Egoístas. Egocêntricos. Egofágicos? Egofagia é o hábito de comer carne de cabra. Mas podemos colocar as mulheres no meio deste significado. Cabritas, nós. Cabras machos, eles. Ou senão, Bambis. Já diziam os estudos de psicanálise: O Ego serve como um mecanismo de defesa. O Ego se desenvolve a partir da interação do humano com a realidade. Realidade essa que nós mulheres desentendemos. Somos valentes, esforçadas e tentamos compreender. Mas não assimilamos a perdição de alguns homens. Eu poderia ficar aqui horas dissertando sobre o assunto. E a qual conclusão chegaria? Nenhuma, nada poderia justificar esse desejo de desordem. Se há um bloqueio masculino para com o feminino? Talvez a única explicação seja o dinheiro. Ou a forma como ele é ganho. Primeiro o poder, depois a educação... Vou submergir neste pensamento... Como no filme que assisti ontem no cinema. Submersão
Um casal que se encontra num hotel, pousada, retiro... Seja lá o que for... Eles se envolvem e desenvolvem laços em uma semana. Do isolamento de dois seres completamente diferentes, acontece a conexão, um sentimento arrebatador. Saindo do vazio existencial para um preenchimento... Emergem substâncias químico-amorosas, biomatemáticas. Ela está contando as horas para mergulhar em desconhecidas águas. Ele tem uma missão difícil em terras nem um pouco auspiciosas. Lugar gelado, lugar quente. Água, escuridão. Terra, claridade. Fundo ou raso. Única certeza: as mulheres falam e contam sobre suas vidas. Querem saber como é a deles. Os homens não entram nesses detalhes. Se porventura nós os guiamos, eles nos obedecem. Mas se os deixamos livres e não os interrompemos, livres eles continuam sendo. E se o destino, ou a sorte, ou o que ficou para trás for cruel... em novas construções onde as trajetórias não forem modificadas, cruel será o futuro. Por isso e por tudo, a humanidade precisa de novas descobertas.

quarta-feira, 7 de dezembro de 2016

Sobre a falta de criatividade do corrupto brasileiro...

Eu aqui pensando em real doll, a fim de sugerir ao mundo outros parceiros, aqueles bonecos iguais a nós, masculinos ou femininos, que não falam, não pedem, não reclamam, não nos roubam, não nos matam, apenas nos fazem companhia para dormir e acordar, para nos dar o braço em viagens ou no sofá da sala assistindo TV, para não nos delatar... Um sonho real e moderno... Logo, penso em máquinas de criogenia, em coisas vindas do Japão, em inteligências artificiais da Escandinávia, dos Estados Unidos, da França, da Alemanha, dos grandes centros de estudo, das grandes empresas de engenharia, dos fabricantes de produtos com alta tecnologia, da NASA e... Por baixo e por cima dos panos, ultrapassando os trópicos capricornianos, na América do Sul, na cidade e no país onde vivo, Rio de Janeiro, Brasil, assistimos a um espetáculo do grotesco diante do acúmulo de capital; porém, em contraste com supérfluos tão mesquinhos como lanchas de luxo, geladeiras de marca italiana Ferrari, helicópteros emprestados, helipontos e heliportos particulares, malas e mochilas transportando e transbordando dinheiro em espécie a escritórios de advocacia, a resorts de pura ostentação e mansões a beira mar, (por onde andará o Beira Mar...?), verdadeiras joias e pedras preciosas compradas em lojas tradicionais que vão se queimando no mercado, seguindo os passos de políticos e suas cônjuges, obras de arte de pintor contemporâneo brasileiro, pernambucano, consagrado em Miami, fora as viagens, as festas, o casamento de fachada cujos padrinhos são ex-presidentes da República... Isso não é digno nem de uma república das bananas, é muita vergonha para uma nação só. Escracho e deboche na cara do povo, saques e falências de empresas onde antes havia o orgulho de dizer: o petróleo é nosso... Um mar de lama que não acabou no desastre de Mariana por outra empresa nacional que nos dava orgulho, mas que continua, pois a gangue criminosa ainda constrói megaempreendimentos e desafia as leis da natureza sem cuidados, sem escrúpulo, sem noção de que humildade faz bem ao homem e a natureza agradece se acaso for bem tratada. Finalmente, a operação anticorrupção veio frear e derrubar um a um neste enorme jogo de “companheiros” e não poupa os sexos, afinal, nós quisemos e vencemos: direitos iguais para ambos os gêneros! Ainda bem! Prender, apreender, aprender é preciso. Por séculos de desenvolvimento retratados historicamente, esperava-se hoje em dia mais decência e sabedoria dos corruptos brasileiros. E o que vimos? Futilidade, mediocridade e pequenez de imaginação. Isso só serviu para limitar o nosso desenvolvimento cultural e econômico. E agora, José?... No meio do nosso caminho há muitas pedras. O que vemos e constatamos: subdesenvolvimento e falta de visão, tudo obtido por eles... Orgulhosos de suas damas, deixaram rastros e esqueceram que tinham outras “preciosas” no meio do caminho, guardadas juntas, nos mesmos cofres da Ciência e Tecnologia e que paralelamente nunca foram usadas no Brasil.

terça-feira, 20 de setembro de 2016

As voltas que a vida dá

Tenho incluído textos meus em outro espaço virtual dos sete blogs que possuo ao longo de dez anos. Sim, que bem me lembre, comecei esta aventura em meados de 2006, logo que me matriculei num curso de Roteiro para TV e Cinema no Rio de Janeiro. Criei e nomeei todos com nomes bem divertidos começando por este aqui, o meu maior xodó, chamado Safo. Safo de Mitilene é também conhecida como Safo de Lesbos, e foi uma poetisa do século VI antes de Cristo. Nascida na Grécia, onde vivia na ilha de Lesbos, segundo uma das versões da história desta menina mulher guerreira, ela foi e é considerada a décima musa. Safo viveu há 2.600 anos na Ilha de Lesbos, situada no Mar Egeu e sobre sua vida apenas conservamos poucos relatos. Calcula-se o seu nascimento entre os anos 630 e 612, enquanto sua morte se fecha ao redor de 570 A/C, mas sua biografia apenas consegue tomar forma com uma vastíssima informação, pois não existe nenhuma fonte histórica contemporânea sobre sua vida e seus poemas. Tudo o que sabemos dela procede de autores posteriores que não a conheceram diretamente. E isto acaba contribuindo para rodear sua figura de uma nebulosa que a situa num caminho entre a realidade e a lenda, no qual não há sinal que possa aumentar o interesse sobre sua vida e sua obra ao longo dos séculos. Grandes autores como Platão, Boccaccio, Baudelaire, Lord Byron, Ezra Pound ou Virginia Woolf sentiam por ela grande admiração. Há suspeitas de que Safo nasceu na aldeia lesbia de Eresos, e que mais tarde se mudou para a capital Mitilene. Ela provavelmente procedia de uma família nobre, abastada. Seu pai seria um próspero comerciante de vinhos chamado Skamandar, e ela teria três irmãos, todos mais novos que ela. Além de sua atividade literária e artística, Safo participou assiduamente de lutas políticas que tiveram lugar marcado em Lesbos, e enfrentou muito duramente o tirano Pítaco. Parece ter se implicado em uma conspiração para matá-lo, junto a Alceu e outros camaradas, mas que após terem sido descobertos, Pítaco ordenou que os expulsassem do território, sendo exilados. Isto ocorreu em torno do ano 593 A/C. Após o exílio, Safo fundou uma espécie de escola ou academia, ao estilo de Platão, e lá era onde ensinava arte, canto, dança e literatura para um grupo de mulheres jovens ou adolescentes e as preparava para o casamento. Parece que no ano de 1.073 D/C, o Papa Gregorio VII ordenou queimar todos os manuscritos com os poemas sáficos, considerados imorais e pecaminosos, e se perdeu para sempre uma parte de sua obra. Diante do que restou de seus escritos, sabemos que Safo rendia cultos a Afrodite, a deusa do amor e da beleza. Sua poesia se caracteriza por suavidade, intimidade e sentimento. Os versos são tão apaixonados como simples, e deixam uma clara constância de sua atração e relação com outras mulheres, mas há de se registrar que Safo também teve muitos amantes masculinos, especialmente o poeta Alceu, de que fala em seus poemas. Hoje, no nosso tempo, um colégio renomado e tradicional da cidade do Rio de Janeiro, o famoso Colégio Pedro II, informou aos jornais, revistas e toda a midia que o seu diretor está autorizando o uso de saias para homens como uniforme padrão; e sim, foi na data de hoje, dia 20 de setembro de 2016 D/C, que um diretor de escola começou a perceber a naturalidade e a possibilidade desta nova-velha tendência, o ser humano se vestindo ou se travestindo da maneira que quiser, pois isso não deve atrapalhar os estudos. Se uma coisa é uma coisa, e uma roupa, uma condição, um jeito diferente de ser, não interferir na estrutura acadêmica, no pensamento e no caráter, nos ensinamentos, na cultura, na matemática, na filosofia, na língua portuguesa ou estrangeira, nas ciências, na educação física, e nas demais matérias..., o que dizer da condenação de Safo naquela época? Enfim, há muita história não revelada em torno de Safo. Por isso quis homenageá-la aqui no meu espaço virtual. O mundo e a vida dão voltas e sempre retornam ao mesmo ponto. Jean Paul Sartre, Freud, Nietzche caem no mesmo tema da loucura da vida, param no ponto certo da reflexão onde o homem está condenado a ser livre. Para mim, a humanidade está condenada a dar voltas no mesmo lugar. Voltando aos blogs, além de Safo, também escrevo sobre o Futuro, num blog com este mesmo título. E escrevo sobre três gerações de moças, entre os vinte, trinta e quarenta anos, no blog Na-Ne-Ni, em que seus nomes começam com a letra N e são fortes: Natália, Nefertiti e Nina. Tudo muito pesquisado, pensado e repensado, porque tratar do universo feminino é assim, íntimo e particular. Um mundo infinito e criativo, onde nós, do sexo frágil, nada somos e tudo somos: nos safamos.